O atendimento em neuropediatria oferecido gratuitamente pelo projeto Neuropediatria e Inclusão, do Instituto Nacional de Apoio ao Serviço Público (INASP), tem sido um dos principais pilares para o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas no Centro Social Anália Leal, em Paripiranga (BA). Além de identificar precocemente alterações no desenvolvimento, o neuropediatra coordena a condução clínica de cada caso e direciona os pacientes para os demais atendimentos especializados, como terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicologia, também oferecidos gratuitamente pelo projeto.
À frente dos atendimentos em neuropediatria do projeto, o médico Wendel Carlos Anastassioy Alves explica que a especialidade é responsável por avaliar o desenvolvimento global da criança, identificar possíveis alterações neurológicas e definir, junto à equipe multiprofissional, as estratégias terapêuticas mais adequadas para cada paciente. “A neuropediatria acompanha de perto o desenvolvimento global da criança, avaliando transtornos do sono, alterações de comportamento e linguagem, além da coordenação motora e de comorbidades frequentemente associadas ao autismo”, explica.
Além de acompanhar a evolução clínica da criança, o neuropediatra exerce um papel fundamental na coordenação do cuidado, sendo o responsável por definir os encaminhamentos para as demais especialidades oferecidas pelo projeto, de acordo com as necessidades identificadas em cada paciente.
Atendimento individualizado
O atendimento começa com uma avaliação clínica detalhada da criança e de sua família. Quando necessário, também são solicitados exames complementares para auxiliar no diagnóstico e na definição do plano terapêutico individualizado.
De acordo com o especialista, o acompanhamento contínuo permite monitorar a evolução clínica e ajustar as estratégias terapêuticas sempre que necessário. “O progresso varia de caso para caso, mas, de forma geral, observamos avanços na comunicação, redução das crises comportamentais, maior tolerância às mudanças de rotina, ganhos motores e melhora na qualidade do sono. Às vezes, são evoluções sutis, mas extremamente significativas para a criança e para a família”, destaca.
Participação da família
Para o neuropediatra, o envolvimento dos pais e responsáveis é indispensável para potencializar os resultados do tratamento e garantir que as estratégias desenvolvidas pela equipe multiprofissional tenham continuidade no dia a dia da criança.
“Mesmo o melhor plano terapêutico perde eficácia sem o engajamento familiar. Por isso, temos ampliado iniciativas que também incluem os responsáveis em oficinas terapêuticas, fortalecendo o cuidado para além do consultório”, afirma.
Acesso que transforma vidas
O acesso à neuropediatria ainda representa um desafio para muitas famílias. Além da escassez de especialistas, as consultas costumam ter custo elevado, o que dificulta a continuidade do acompanhamento. Nesse contexto, o projeto do INASP garante atendimento gratuito e integrado, permitindo que crianças em situação de vulnerabilidade também tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento especializado.
Segundo Wendel Carlos Anastassioy Alves, iniciativas como essa ajudam a descentralizar uma especialidade ainda concentrada nos grandes centros e tornam possível que mais crianças recebam acompanhamento no momento certo.
“O INASP apresentou um projeto extraordinário ao ampliar esse atendimento especializado. Muitas famílias não teriam condições de custear consultas particulares ou realizar deslocamentos para outras cidades. Iniciativas como essa descentralizam o acesso à neuropediatria e permitem que mais crianças recebam acompanhamento no momento certo”, ressalta.
Para o médico, acompanhar a evolução das crianças é uma das maiores recompensas da profissão. “Temos relatos emocionantes de crianças que aprenderam a ler e escrever, passaram a fazer amizades, superaram quadros de ansiedade e depressão. Ver o sorriso de cada criança e ouvir respostas positivas quando perguntamos se ela está feliz ou como está sua vida mostra que estamos no caminho certo”, conclui.