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Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas pelo projeto Neuropediatria e Inclusão, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Apoio ao Serviço Público (INASP), no Centro Social Anália Leal, em Paripiranga (BA), ampliam suas habilidades de comunicação e interação social por meio do acompanhamento fonoaudiológico oferecido pela iniciativa. O atendimento integra o trabalho multidisciplinar já realizado pelo projeto e tem como foco o desenvolvimento da linguagem, da comunicação funcional e da autonomia das crianças no cotidiano.

Segundo a fonoaudióloga Aparecida Ribeiro, com atuação nas áreas de linguagem infantil e disfagia, o trabalho vai além da fala. “A terapia não trabalha apenas a linguagem expressiva. Nós auxiliamos a criança a compreender o ambiente ao redor, desenvolver interação social, contato visual, intenção comunicativa e troca de turnos na conversa”, explica.

O processo terapêutico também atua no fortalecimento da comunicação verbal e não verbal, contribuindo para que a criança consiga se expressar melhor em diferentes contextos. Muitas delas apresentam dificuldades relacionadas à compreensão de turnos de fala, escuta ativa e expressão de emoções, aspectos trabalhados ao longo das sessões.

A intervenção precoce é apontada pela especialista como um dos principais fatores de impacto no desenvolvimento. Isso porque, nos primeiros anos de vida, o cérebro apresenta maior plasticidade neural, o que favorece avanços mais significativos. “Uma criança que começa o acompanhamento aos dois anos tende a apresentar mais possibilidades de desenvolvimento do que aquela que inicia apenas aos cinco”, pontua.

Participação familiar

Outro ponto considerado essencial é a participação da família no processo terapêutico. O envolvimento de pais e cuidadores permite a continuidade das estratégias fora do ambiente clínico, fortalecendo os resultados.

Entre os avanços mais observados estão o aumento do vocabulário, melhora na articulação das palavras e maior capacidade de comunicação funcional no dia a dia, com reflexos diretos na convivência social e familiar.

Para Aparecida Ribeiro, quando há integração entre terapia, escola e rotina familiar, o progresso tende a ser mais consistente. “Quando a criança consegue se expressar melhor, ela ganha mais autonomia e fortalece os vínculos afetivos dentro da própria família”, acrescenta.

Importância da iniciativa

A fonoaudióloga também destaca a importância de iniciativas que ampliem o acesso ao atendimento especializado. Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelo INASP ganha relevância ao oferecer acompanhamento gratuito e multidisciplinar, contribuindo para a inclusão e qualidade de vida das famílias atendidas. “Muitas famílias não têm condições de custear terapias contínuas. Oferecer esse suporte significa proporcionar inclusão, acolhimento e mais qualidade de vida para essas crianças e seus familiares”, conclui.