O acompanhamento psicológico oferecido pelo projeto Neuropediatria e Inclusão, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Apoio ao Serviço Público (INASP), tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento emocional, social e comportamental de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas no Centro Social Anália Leal, em Paripiranga (BA). Além de contribuir para avanços na comunicação, autonomia e interação social das crianças, o serviço também oferece acolhimento e suporte emocional às famílias.
Segundo a oficineira terapeuta Bruna Kercia, o trabalho psicológico auxilia as crianças a reconhecerem emoções, desenvolverem habilidades sociais e lidarem melhor com desafios do cotidiano. “O acompanhamento favorece o fortalecimento da autoestima, da segurança emocional e da capacidade de interação, aspectos fundamentais para o desenvolvimento e a qualidade de vida dessas crianças”, explica.
O atendimento integra o cuidado multidisciplinar já realizado pelo projeto, permitindo uma abordagem mais ampla das necessidades de cada paciente. A atuação conjunta entre diferentes profissionais possibilita a construção de estratégias complementares, ampliando os resultados alcançados ao longo do processo terapêutico.
Acolhimento às famílias
Além do acompanhamento das crianças, o projeto também direciona atenção aos pais e responsáveis, especialmente às mães, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional, ansiedade, medo em relação ao futuro dos filhos e exaustão decorrente da rotina de cuidados.
Para Bruna, oferecer um espaço de escuta e acolhimento é essencial para fortalecer emocionalmente essas famílias. “Quando as mães se sentem compreendidas e apoiadas, conseguem enfrentar os desafios do dia a dia com mais segurança e equilíbrio emocional”, destaca.
Esse fortalecimento familiar também reflete diretamente no desenvolvimento das crianças. De acordo com a especialista, um ambiente familiar emocionalmente saudável favorece as relações afetivas, contribui para o manejo de comportamentos e potencializa os avanços conquistados durante o acompanhamento.
A participação da família é considerada um dos pilares do processo terapêutico. O envolvimento dos responsáveis permite a continuidade das estratégias desenvolvidas nas sessões, fortalecendo os resultados obtidos e ampliando as oportunidades de aprendizagem no cotidiano.
Entre os avanços mais frequentemente observados estão melhorias na comunicação, na interação social e na autonomia das crianças. Já entre os familiares, é comum perceber maior confiança, segurança emocional e capacidade de lidar com os desafios relacionados ao desenvolvimento infantil.
Importância da iniciativa
Bruna Kercia ressalta que iniciativas como a do INASP desempenham um papel importante na democratização do acesso ao atendimento especializado. Muitas famílias, segundo ela, não teriam condições de custear acompanhamento psicológico contínuo, o que torna o serviço gratuito um importante instrumento de inclusão social.
“O atendimento psicológico fortalece emocionalmente as famílias e cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento das crianças. É um cuidado que impacta toda a dinâmica familiar”, afirma.
Para a terapeuta, acompanhar a evolução das crianças e o fortalecimento das famílias é uma das experiências mais marcantes da atuação profissional. “Ver uma criança conquistar novas habilidades e perceber uma família mais segura e confiante reforça diariamente a importância desse trabalho”, conclui.