O acesso à fisioterapia é uma etapa importante da recuperação de pessoas com limitações de movimento, mas nem todos conseguem chegar a um serviço de saúde. Para pacientes acamados ou com mobilidade reduzida, as dificuldades de transporte e a necessidade de acompanhamento constante podem comprometer a continuidade do tratamento. Em Paripiranga, na Bahia, o projeto Reabilita, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Apoio ao Serviço Público (INASP), busca mudar essa realidade levando atendimento fisioterapêutico gratuito diretamente às residências.
A iniciativa acompanha mensalmente 30 famílias de pelo menos 20 povoados do município, com prioridade para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O trabalho é voltado à reabilitação física, à prevenção de complicações decorrentes da imobilidade e à preservação da capacidade funcional dos pacientes, considerando as condições clínicas e a realidade de cada família.
Os atendimentos são realizados semanalmente por um fisioterapeuta e uma técnica de enfermagem. As sessões duram entre 40 minutos e uma hora, e o planejamento terapêutico é individualizado, com avaliação das necessidades de cada paciente e acompanhamento de sua evolução.
Para o presidente do INASP, Cleiton Oliveira, a proposta do Reabilita é fazer com que as dificuldades de deslocamento e as condições socioeconômicas não se tornem impedimentos para o acesso ao cuidado. “O Reabilita nasceu com o propósito de levar assistência a pessoas que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para chegar até um serviço de saúde. Quando o atendimento vai até a casa do paciente, conseguimos olhar de perto para a realidade daquela família e oferecer um acompanhamento mais próximo de suas necessidades. Nosso compromisso é contribuir para que essas pessoas tenham acesso à reabilitação, mais qualidade de vida e melhores condições para enfrentar suas limitações”.
Atendimento individualizado e recuperação funcional
O público atendido pelo projeto inclui jovens com deficiência e pessoas idosas. Entre os casos mais frequentes estão pacientes com sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e paralisia cerebral, condições que podem afetar a mobilidade, a independência e a realização de tarefas cotidianas.
Além de trabalhar a recuperação dos movimentos, a fisioterapia busca prevenir complicações associadas à imobilidade, como atrofias musculares, dores e quedas. A continuidade do acompanhamento também permite identificar mudanças no quadro do paciente e ajustar as intervenções conforme suas necessidades.
O fisioterapeuta do projeto, Kleberson Guimarães, explica que o atendimento domiciliar permite desenvolver o tratamento de acordo com as condições de cada pessoa, sem desconsiderar os desafios enfrentados por seus familiares. “Quando o paciente tem uma limitação severa de movimento, a família enfrenta uma grande barreira para conseguir transporte e atendimento especializado. Ao levar a fisioterapia até a casa dele, garantimos o tratamento contínuo dentro da realidade em que ele vive”, explica Kleberson.
A assistência no domicílio também favorece a participação dos familiares no processo de reabilitação. Ao acompanhar a rotina do paciente, o profissional pode orientar os cuidadores e adequar as recomendações às condições do ambiente, contribuindo para a continuidade dos cuidados entre as sessões.
Segundo Kleberson, os resultados podem aparecer tanto na recuperação de movimentos quanto na conquista de maior independência para realizar atividades do dia a dia. “Já acompanhamos pacientes que não conseguiam andar e que voltaram a caminhar. A fisioterapia faz diferença não apenas na mobilidade, mas na conquista de autonomia para que essas pessoas dependam menos de seus familiares nas tarefas do dia a dia”, relata.
Cuidado que alcança toda a família
A reabilitação de uma pessoa com mobilidade reduzida também repercute na rotina de quem assume os cuidados diários. Quando o paciente passa a realizar determinadas atividades com mais independência, a família pode encontrar novas possibilidades de organização e convivência. Ao mesmo tempo, a orientação profissional ajuda os cuidadores a compreender melhor as necessidades de quem recebe assistência.
Para o INASP, o trabalho desenvolvido pelo Reabilita representa uma forma de aproximar o cuidado de quem enfrenta barreiras de acesso e precisa de acompanhamento contínuo. “A importância do projeto está também no impacto que ele pode gerar dentro de cada casa. Quando uma pessoa recebe assistência adequada e consegue avançar em sua recuperação, toda a família participa desse processo e percebe os resultados. Por isso, entendemos que cuidar vai além de oferecer um atendimento: significa olhar para as necessidades das pessoas, respeitar suas condições e contribuir para que tenham mais dignidade, autonomia e qualidade de vida”, afirma Cleiton Oliveira.
Como ter acesso ao projeto
O Reabilita atende prioritariamente pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida em situação de vulnerabilidade social. Para solicitar atendimento, um familiar pode procurar o fisioterapeuta responsável ou a sede do INASP, localizada na Rua Desembargador Lafaiete Veloso, nº 49, bairro Torre, em Paripiranga (BA).
É necessário apresentar o diagnóstico e os documentos do paciente. A partir dessas informações, a equipe organiza uma visita domiciliar para conhecer o caso, avaliar as necessidades e verificar a possibilidade de acompanhamento pelo projeto.