O acompanhamento em terapia ocupacional tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas gratuitamente pelo projeto Neuropediatria e Inclusão, realizado pelo Instituto Nacional de Apoio ao Serviço Público (INASP), no Centro Social Anália Leal, em Paripiranga (BA).
Integrando o trabalho multidisciplinar desenvolvido pelo projeto, a terapia ocupacional atua diretamente no fortalecimento da autonomia, da interação social e da participação das crianças nas atividades do cotidiano. O acompanhamento envolve desde estímulos relacionados à alimentação, higiene e brincadeiras até questões motoras, cognitivas, sensoriais e comportamentais.
Segundo o terapeuta ocupacional Me. Danillo Araújo (CREFITO 18434-TO), o foco do trabalho é ampliar a independência e a funcionalidade das crianças dentro da rotina familiar, escolar e social. “A terapia ocupacional busca desenvolver habilidades que permitam maior independência, interação social e participação nas rotinas da casa, da escola e dos ambientes sociais. Trabalhamos de forma integrada, sempre respeitando as necessidades individuais de cada criança”, explica.
Entre as demandas mais frequentes atendidas pela equipe estão as questões relacionadas ao processamento sensorial, muito comuns em crianças com TEA. Hipersensibilidade a sons, texturas e luzes, além da busca constante por estímulos intensos, podem impactar diretamente o comportamento e a participação nas atividades diárias.
“Realizamos uma avaliação do processamento sensorial e utilizamos estratégias terapêuticas que ajudam a criança a organizar melhor essas informações. Isso favorece a autorregulação, a atenção e a participação nas atividades do cotidiano”, destaca o profissional.
Autonomia e qualidade de vida
O acompanhamento também utiliza situações da própria rotina como ferramenta terapêutica. Atividades como alimentação, higiene pessoal e brincadeiras são trabalhadas de forma lúdica, estimulando habilidades sociais, coordenação motora, comunicação e independência.
De acordo com Danillo Araújo, o início precoce da intervenção faz diferença significativa no desenvolvimento das crianças. “Quanto antes a criança recebe estímulos adequados, maiores são as possibilidades de desenvolvimento. A intervenção precoce ajuda a fortalecer habilidades importantes e pode minimizar impactos futuros na rotina e na participação social”, afirma.
Participação da família
Outro ponto considerado essencial pelos profissionais é a participação da família durante todo o processo terapêutico. O envolvimento dos pais e cuidadores contribui diretamente para a continuidade das estratégias fora do ambiente de atendimento.“A terapia precisa continuar no ambiente familiar. Quando a família entende as orientações e consegue aplicar estratégias na rotina, a evolução costuma ser muito mais significativa”, ressalta.
Ao longo do acompanhamento, os avanços percebidos pelas famílias vão desde melhorias na comunicação e interação social até maior independência nas atividades diárias, adaptação escolar e regulação emocional.
Para o terapeuta ocupacional, iniciativas como a do INASP têm um impacto social importante ao ampliar o acesso gratuito ao atendimento especializado. “Muitas famílias não têm condições de arcar com um acompanhamento contínuo. Quando esse acesso é oferecido gratuitamente, mais crianças conseguem receber intervenção precoce e acompanhamento adequado, aumentando as oportunidades de desenvolvimento e inclusão”, pontua.
O projeto Neuropediatria e Inclusão reúne profissionais de diferentes áreas da saúde, fortalecendo o cuidado integrado às crianças atendidas. A atuação conjunta entre terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e outras especialidades permite um acompanhamento mais completo e alinhado às necessidades individuais de cada paciente.
Segundo Danillo Araújo, acompanhar as conquistas das crianças ao longo do processo é um dos momentos mais marcantes para profissionais e famílias. “Às vezes é uma criança que consegue participar de uma brincadeira em grupo, aceitar um alimento novo ou realizar uma atividade de forma independente pela primeira vez. São conquistas que representam grandes vitórias para as famílias e para todos nós que acompanhamos esse desenvolvimento”, conclui.